quarta-feira, 18 de maio de 2011

Santa Fe - Rosario - Porto Alegre - Portão

"Tô voltando pra ficar...é aqui a minha terra, é aqui a minha vida, é aqui o meu lugar!"
Assim canta a musica gauchesca, que fala do gaucho que nao pode viver em outro lugar e que fica muito feliz em voltar pra sua casa e encontrar aquilo que lhe é proprio!
De verdade que me alegro muito em voltar e reencontrar minha familia, meus irmaos com seus ares de reprovaçao e de alegria, meus pais so sorrisos querendo fazer competiçao de quem cozinha melhor e minha vó sempre preocupada com minha magreza (aos 92 anos ja se nao se vê tao bem...)
É bom ver meus cachorros e comer bergamota no sol! Fazer as unhas e tomar chimas com pinhao!
Mas bem no fundo... me custou muito sair da minha vidinha argentina pra vir para cá! Caminhando por Santa Fe na terça pensava comigo mesma: quando venho morar aqui? Depois da faculdade? Pra fazer um mestrado? Nao sei... mas sei que tudo lá me encanta, de um jeito que nunca nenhum outro lugar me encantou...

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Crise dos 2 meses de intercambio!

ATENÇÃO: Pra ler o post abaixo tem que ouvir esta musica... depois ler o poema do Quintana.

A verdadeira arte de viajar.

A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa,
Como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo.
Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam ali...
Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando!
M. Quintana

Prometo que amanhã vou sair assim... que vou fazer um caminho diferente! Nao vou ir mais todos os dias pela Peatonal a ver sempre as mesmas vitrines... quero perderme nas ruas de Santa Fe, viver mais essa experiencia aqui, pra depois sentir saudades de cada um desses cantinhos argentinos.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Santa Fe/Argentina - Villazón/Bolívia 16/04 à 24/04 - parte IV









Batman, a veces necesario!
Adrián en uma parada pra Coca, mate e tortilla!
Porco selvagem no restaurante!

Viernes Santo, 22/04/2010, desarmamos acampamento e sem nada para tomar café, voltamos a falar com a policia camionera para ver se podiam nos ajudar a conseguir alguem que nos levasse. Com a policia nao conseguimos nada entao fomos em direçao a ruta, onde caminhamos (e nunca tinha visto tanto grilo na minha vida) das 11h até 13h, quando depois de muito pedir, uma camioneta com um boliviano parou para nos levar. Era sexta-feira santa, assim que, quase não havia caminhoneiros e os carros familiares estavam todos cheios de gente.
Aqui foi um momento bem tenso, quando abrimos a porta da camioneta o motorista era exatamente a descriçao que os guris sempre faziam para me assustar quando eu tava braba: uma barriga imensa com a camisa aberta, com uma bochecha inchada de coquear e ainda por fim uma Quilmes na mão e um espanhol impossivel de entender, nao sei se era pela folha de coca, pela cerveja ou pelo sotaque boliviano... ah e detalhe dentes de prata! Fiz questao de ir no banco de trás e assim, não tinha que conversar, no máximo ria quando todos riam hehehehhe... Nos contou mil historias de seus negocios nao muito licitos e da sua familia e por fim quando nos despedimos, nos deu 10 pesos para uma gaseosa!!!
Fomos com o boliviano até Guemes e daí ganhamos outra carona até Salta, assim entao pudemos conhecer a cidade, que é linda, parece ser toda planejada, limpa organizada e cheinha de turistas!!! É Uma pena que quando chegamos o mercado municipal já estava fechado, almoçamos pizza de queijo e papas fritas e depois fomos pra praça comprar pão e alfajor pra levar junto...
Vou lembrar desse almoço por muito tempo... talvez porque não abri mão de que não se pode comer carne na sexta-feira santa e além disso fiz outra pessoa entender essa minha necessidade. A sobremesa foi "una buena charla" que me fez pensar muito, sobre muitas coisas... talvez esse tenha sido um momento de passar a limpo algumas coisas da viagem e alguns reflexos que estes dias vao ter na minha vida... Penso que vou fazer uma lista de 10 coisas que essa viagem mudou na minha vida!
Nesse ponto da viagem o dinheiro já tava preocupando porque nao sabiamos quanto tempo levariamos para voltar... Fomos a uma gasolinera pedir carona para voltar para ruta e assim poder pedir carona para o sul, conseguimos uma camioneta que estava esperando uns familiares para sair e assim, tivemos um tempo parado no posto, tempo suficiente para uma super vivencia... Há algumas horas estavamos pensando em uma maneira de conseguir mais dinheiro, e agora eu não tinha palavras pra agradecer a ajuda de uma pessoa que nao sei o nome, mas sei que tem um coraçao gigantesco, do qual eu espero nunca esquecer!!! Um lição pra mim, duas liçoes pro meu amigo. Nos abraçamos e eu nao pude conter a emoçao... e até hoje me emociono quando lembro desse momento.
Fomos de carona até um pedagio e daí seguimos com um policial da Aeronautica até um posto de gasolina, esse era maior e com muito mais chance de que alguem nos levasse, já que já estavamos assim na ruta e era um ponto de descanso de muitos caminhoneiros, mas... quem tem boca vai a Roma e assim fui conversar com um senhor que estava lendo jornal em um banco no estacionamento do posto. Com um sotaque estanho ao pronunciar o Z e C... siiim um espanhol! heheh Dono de uma fica aqui na Argentina, mas que trabalha como advogado na Espanha e vem pra cá ver a namorada e descansar, conhece quase o mundo todo através da caça... tipinho bem distinto hein?! hahahah Bueno, o que importa é que nos convidaria para ficar na sua fazenda se não estivesse esperando hospedes, mesmo assim, nos levou até o pedagio de Cabeza de Buey, assim, sem cobrar nada, só pelo gosto de conversar...
Chegando no pedagio ainda tentamos alguma carona que nos levasse mais ao sul, mas para uma sexta-feira santa, ja estavamos bem contentes com o trajeto que avançamos, apesar de que tenha sido um pouco em circulos... No pedagio, uma recepçao incrivel, acesso a cozinha, aos pratos e talheres, agua limpa e a cia de uma gata que nos ajudou a comer nossas "rrrrriiiiiiiiiiicas" anchovetas compradas na Bolivia (eita integraçao desse Mercosul hein: Brasil e Colombia na Argentina, comendo comida do Peru, comprada na Bolivia).
Armamos nosso acampamento numa grama fofa, chovia um pouco e sabiamos que já estavamos no caminho de casa, pois já haviam muuuuuitos mosquitos! Apesar do barulho de freadas e de aceleração dos carros que chegam e saem, os pedagios foram bons lugares para acampar, sempre com uma acolhida muito simpatica, me sentia segura alí.
Sabado, 23 de abril de 2010, despertamos com a barraca muito molhada, assim que ajeitamos tudo mas deixamos ela armada até que saisse o sol para secar e assim podermos guardar ela sem que fosse mofar. Fiz um chimarrao e guardamos tudo, nesse dia so tinha um resto de pão doce pro café da manhã.
Mochila nas costas, começamos a pedir carona... quando eu via que já tinha mais gente no caminhão nem fazia sinal, pq dificilmente levaria mais alguem junto. Assim, vinha um caminhao já com caroneiros, nao fiz sinal e mesmo assim foi aquela buzina, fiquei braba, pq afinal de contas se nao vai levar pra que buzinar... eis que o caminhao para logo depois do pedagio e quem desce? Siiim os 2 mexicanos que tiveram que passar a noite na Bolivia pelo tema do visto.
Nao acreditamos que estavamos mais uma vez juntos, unidos pelo acaso da estrada...
Assim, fizemos uma viagem de 16 horas com Adrian, desde as 10 da manhã ate as 2 da madrugada, em Rafaela.
Almoçamos em um restaurante suuuuuper simples pertinho de Tucuman (com direito a chao de barro e porco selvage vindo pedir carinho em baixo da mesa!), comi asado de novilha e os guris comeram o prato de caminhoneiro "el estofado" uma mistura de tudo quanto é tipo de carne (eu só provei lingua e sabe que ate que tava bem gostosa mesmo)... compramos um pao caseiro e pé na estrada!
Foi o caminhoneiro com o qual viajamos por mais tempo e tambem por ser o ultimo dia de viagem, tinhamos muuuuitas historias para compartilhar, assim que, nos divertimos muito relembrando dos "melhores momentos"! Ao final já estavamos chamando o caminhoneiro de papi Adrian, que em toda gasolineira parava a comprar Coca para os guris e pra eu fazer mate! Tive clases de assobio, mas todavia, nao sei assobiar =/
Adrian queria nos levar ate a porta da RAE, mas nao podia desviar seu caminho pq o caminhao tinha rastreamento, assim, descemos em frente a rodoviaria de Rafaela, comendo um claaaassico sanduiche de milanesa enquanto esperavamos pelo 1º onibus a Santa Fe! Os guris foram correndo comprar as passagens quando abriu o terminal, ate que a Dona Heloisa chegou para instalar a 2ª peleia da viagem! Nao ganhamos desconto de estudante nas passagens, assim, teriamos que pagar 30 pesos!!!! E se até agora tinhamos vindo a dedo, pois que seguissemos assim, e por isso os guris tiveram que cancelar a compra... e eu dizendo que ia sozinha pedir carona caso eles comprassem... hehehehe
Resultado: armar acampamento as 4:45 da madrugada no estacionamento do terminal de Rafaela num frio de congelar!
Bom dia coelho da Pascoa??? Que nadaaa, domingo de Pascoa com um sol liiindo e acordar com um estacionamento cheio de gente olhando pro nosso acampamento! Barracas secas, guardamos tudo e fomos procurar uma padaria pra poder tomar café. Assim, compramos rosca de Pascoa e suco e fomos desayunar na Praça 9 de Julio e dai seguimos para pedir uma carona...
De Rafaela fomos até Esperanza e paramos para um mate na RAE 2, foi muuuuuito divertido encontrar com a Brunna que eh da veterinaria/UFRGS e nao conseguir falar portugues, assim tomamos um mate e aí pude voltar a pensar no bom e velho portugues! Até chegar em Santa Fe foi dificil, caminhamos muuuuito e aí ta uma parte divertida: acabei discutindo com os guris em funçao do stress de nao ter carona e propus que o Sergio trocasse o mochilao pela minha mochilinha, eles acharam que era piada... resultado: carreguei ate o fim da viagem traaaaanqui! hehe
Fomos até Santa Fe de carona na camioneta de uma familia que levava até o louro pra passar a Pascoa na casa da avó!
Foi um pouco tenso passar pelas casas e ver as familias almoçando juntas e sabendo que a minha familia tambem tava toda reunida comendo aqueeeele churras e eu ali, sem almoçar, sem ninho de Pascoa!
Chegando na RAE, uma foto pra comprovar que tinhamos chegado inteiros, apesar de quase negros de tanto tomar sol! Sensaçao estranha de chegar, muuuuito cansada e ao mesmo tempo em extase por pensar em tudo que havia acontecido naqueles "inolvidables" 8 dias em que estivemos na estrada.
Largamos as mochilas, fizemos um par de coisas e como se tivessemos criado uma relaçao de dependencia, voltamos a nos encontrar para saber o que comeriamos, assim, saimos pra comer aquele classico sanduiche de milanesa e depois matar a saudade do helado Grido!
Depois disso, ligar para casa, lavar roupa, colocar tudo em ordem, ou nao! Bueno todavia algumas coisas seguem fora de seu compasso normal... Só sei que nao vejo a hora de voltar a sentir aquela injeçao de adrenalina!

Terminando de descrever essa aventura, sentada no café do aeroporto de Rosario, esperando meu voo para POA e ouvindo essa musica...

terça-feira, 3 de maio de 2011

Santa Fe/Argentina - Villazón/Bolívia 16/04 à 24/04 - parte III

Bienvenidos....
Las mismas colores de Rio Grande del Sur
Nacionalismo
Rumo a " La Garganta del Diablo"

Ruta Quebrada de Humahuaca, sentido sur e adiós Tilcara...
Pukara de Tilcara
Quebrada de Humahuaca
Camino para La Garganta del Diablo
Quarta-feira, 20 de abril, dia de "La Virgen de Copacabana de Punta Corral", assistimos a maior expressão de fé da Quebrada de Humahuaca. O amanhecer foi uma surpresa, acordamos em meio a um deserto imenso em um dia lindo de sol, banho quentinho com agua aquecida a lenha (um luxo pra quem já tava se acostumando com banho gelado). Deixamos o acampamento armado e fomos ao Mercado Municipal de Tilcara, com carne crua, bolos, asado de llama e artesanato, comemos um espetinho de frango e algumas empanadas para aguentar a caminhada hasta "La Garganta del Diablo" e aí nos juntamos às pessoas que estavam indo buscar a imagem da virgem no alto da montanha. Turistas, tilcareños, muita música (70 bandas de toda região vão buscar a virgem) e até um guri com camiseta do Grêmio!
Seguimos o curso do rio (que nessa época tá quase seco) para chegar até a cascata, caminhamos 2 horas, mas pelo fato de estarmos subindo e caminhando sobre pedras, o cansaço era de um dia inteiro de caminhada. Escorreguei algumas vezes, caí 1 vez e bati minha térmica =/ A cascata tinha pouca água, mesmo assim, foi maravilhoso chegar nela e estar rodeada por montanha e silêncio, além de ver a força com que a agua vem esculpindo as rochas, fazendo um tunel para a cascata descer.
Voltamos pelo mesmo caminho e como diz o ditado "pra descer todo santo ajuda" assim que, voltamos mais rapido e fomos até as Ruinas de Pukara, lembrei tanto das aulas de arqueologia e confesso que despertou uma vontade imensa de seguir nessa area, mas bueno, isso já é ooooutro assunto... As construçoes indigenas estao em perfeito estado e nunca tinha visto tanto cactus na minha vida, todos gigantescos!!! Um cenario bem tipico dos desenhos do Papa Leguas (bip bip) Do ponto mais alto do cerro era possivel ver uma boa parte do que é a Quebrada de Humahuaca, uma fusao incrivel de cores, de deserto e de verde.
Voltamos para desarmar o acampamento e cair na estrada antes que a noite e o frio desértico chegasse, conseguimos carona para 2 em um carro de francesas e seguimos na ruta para conseguirmos alguém que nos levasse também, mas de noite tudo complica, assim que, tivemos que ir a um posto de gasolina para pedir carona.
Conseguimos ir até Humahuaca com um indigena da etnia Coya, que nos propos que se nao tivessemos onde dormir, ele iria dar algumas voltas e poderia voltar para nos buscar para passarmos a noite na casa da familia dele... inesquecivel esse encontro com pessoas de coraçao tao grande!!!
De Humahuaca resolvemos seguir em onibus até La Quiaca, pq já era quarta-feira e tinhamos que chegar rápido até a fronteira. Chegamos em La Quiaca com temperatura negativa, pq parecia que ia congelar cada osso, cidade de fronteira, as 2h da manhã, confesso que senti muito medo... mas ao mesmo tempo sabia que nada podia dar errado.
Quinta-feira de manhã, La Quiaca agora vista com luz, me pareceu muito mais tranquila, uma cidade simples de pessoas humildes. Aqui já se podia ver muuuito da cultura boliviana, inclusive algumas cholas, que são as típicas mulheres campesinas bolivianas, com suas longas tranças, saias rodadas e carregando fardos imensos envoltos por aqueles tecidos coloridos.
O café da manhã foi um banquete de facturas suuuper gostosas, saimos para conhecer o mercado central e a feira de hortifruti e daí já seguimos para a fronteira da cidade com a Bolivia.
Coisa boa cruzar a fronteira de um país, carimbar o passaporte e sentir a sensação de ter conquistado um pouco mais desse mundo gigante, que por vezes parece ser tão pequeno! Engraçado é que a gente pensa que muda o país mudam as pessoas e toda a paisagem... e no caso da Bolívia é exatamente assim!!! Villazón que é a cidade da Bolivia lindeira em relaçao à Argentina, parece um pouco com Ciudad del Leste, comércio intenso, contrabando tenso!
O nacionalismo boliviano é algo que salta aos olhos e sobretudo o orgulho dos bolivianos em terem um presidente indigena, e assim, quem nos dá a "bienvenida" na aduana é uma foto dele mesmo: Juan Evo Morales Aima.
Suco de pomelo por 1 real na rua, super almoço com carne e cerveja Paceña no Mercado Central por 10 reais, vantagens do cambio e proveito que se tira de estar em um lugar tão humilde.
Queria ter tirado fotos nas ruas, mas me passa nessas situações uma impossibilidade de tirar fotos. Como que não me permito fotografar as pessoas em sua rotina, penso que essa ação é futilidade demais frente a situaçao das pessoas. Fotografar o que? As pessoas trabalhando, pedindo dinheiro, enquanto eu disfrutava do prazer de fotos... Fotografar pra que? Pra dizer que eu estive alí e de como minha situação de vida é diferente... Não sei se é exatamente por isso que não consigo tirar fotos dessas situações, mas me parece como se eu tivesse fazendo daquela vivência, uma disney....
Comprei uma manta aguaya, uma ruana de lão de alpaca e um tenis (liiiiiiiiiindo) de aguayo! Queria ter comprado muuuuita coisa, mas aí tá o problema do mochilão, pouco espaço e quanto mais coisas, mais pesado fica...
Nos despedimos da Bolívia e aí começamos o caminho de regresso (embora tivessemos muuuuita vontade de avançar) e como sempre, muuuuuita sorte.... assim que chegamos na estrada já conseguimos carona eassim pudemos voltar até Perico, uma cidadezinha bem perto de Salta!!! Conhecer Salta tinha sido promessa pra eu deixar de fazer birra quando saimos de lá sem conhecer...
Chegando em Perico, fomos em busca de algum lugar para ficar e aí que a policia camionera junto com seu cachorrinho nos acolheu suuuper bem e nos levaram até um clube onde pudemos armar um acamapamento seguro, com agua quente e uma grama fofa que beirava a maciez de um colchao! Pra jantar: chimarrao e pepas (biscoito com goiabada)!